O esporte no cotidiano do portador de deficiência física
Ser portador de alguma deficiência física inata ou adquirida por algum acidente é, sem dúvida, ser merecedor de um tipo específico de atenção, seja no campo pessoal, familiar, ou ainda no campo social.
Nesse contexto, quando a escola trabalha com a prática de esporte, ela pode significar, no imaginário do deficiente, uma forma de evidenciar suas deficiências, retirando-o da convivência com os outros, significando sacrifício e exclusão. Por outro lado, pode também significar melhorias para a sua qualidade de vida, por proporcionar prazer e ser sentida como uma prática que não desconsidera sua deficiência e seus limites, mas sim, evidencia a sua eficiência e possibilidades.
A condição de igualdade social nem sempre está presente no cotidiano do deficiente físico. No âmbito escolar nem todos conseguem uma vaga em uma instituição com serviço educacional adequado. Seria necessário que o acesso à escola com serviços especializados fosse para todos, em classes adequadas à idade, a fim de prepará-los para uma vida autônoma como membros plenos da sociedade.
Esses mesmos deficientes têm seus direitos garantidos pela legislação. Mas a garantia se esvai, quando perante tantos desafios, que os tolhem e os retalham no exercício de sua cidadania, desanimam e se acomodam a condição de heteronomia. O preconceito e a discriminação se fazem concretos, pois suspeitamos que, por estarem presentes em toda parte, a sociedade desconhece como tratar essa diferença.
Com a educação física apropriada aos deficientes, poderíamos mostrar à sociedade que todo cidadão, deficiente ou não, é capaz de viver com suas deficiências, praticando alguma atividade física, sem que as pessoas os olhem com compaixão. Mas sim, como capazes de ampliar suas possibilidades nos campos axiológico, social, político e cultural.
Valores como determinação, cooperação, auto-superação, autoconfiança, socialização, bem como habilidades motoras e cognitivas, podem ser referenciados pela prática da atividade física. Ao trabalhar com o deficiente, precisamos intervir visando uma educação física que os conscientize de suas deficiências, mas que os faça desvelar suas possibilidades e motivá-los na busca de melhorias para a sua qualidade de vida, facilitando suas atividades cotidianas.
Se, ao contrário, percebermos a Educação Física Escolar com a finalidade de treinamento físico, supostamente poderemos submeter esse indivíduo a um sofrimento maior, podendo até piorar a condição física, social e afetiva do praticante.
Tornar a educação física uma prática emancipatória para os deficientes físicos é um desafio posto aos atuais e futuros profissionais de educação física.
Tornar a educação física uma prática emancipatória para os deficientes físicos é um desafio posto aos atuais e futuros profissionais de educação física.
Referências bibliográficas
- Edler,C. R. Temas em Educação Especial. Rio de Janeiro:WVA Editora, 1998.
- Educação Física e Portadores de Deficiências. Revista do órgão oficial do Confef ano ll nº08 agosto 2003.
- Integração. Diversidade na Educação. Ministério da Educação/Secretária de Educação Especial. ano 9 nº 21 1999. Revista Integração é uma publicação da Secretaria de Educação Especial do MEC.
- Integração. Educação Física Adaptada. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial . Ano 14 Edição Especial/2002.
- Salto para o Futuro: Educação Especial: Tendências Atuais/Secretaria de Educação à Distância: Brasília: Ministério da Educação, SEED, 1999 - 96p. (Série de Estudos Educação a Distância, ISSN 1516. 2079; V9 ).
- Sassaki, Romeu Kazumi. Inclusão: Construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA,1997.
Tags: DEFICIENTE FÍSICO
Disponibilizo abaixo uma lista de filmes com caráter educacional que recebi por email, tirei umas coisas e botei outras. Não são vídeos didáticos, são filmes mesmo. Alguns são diretamente ligados à escola ou à sala de aula, outros não. Se quiser dar alguma sugestão de filme ou mesmo fazer uma "resenha pedagógica" dos que estão aí, deixe um comentário.