WEBLOG: CONSTRUÇÃO COLETIVA A SEIS MÃOS
André
Luiz Gomes da Silva
Joseane
Costa Santana
Paula Ferraz Oliveira
1
INTRODUÇÃO
A sociedade
contemporânea está altamente tecnologizada e caracterizada por novos espaços
sociais, carregados de subjetividade. Com o aperfeiçoamento das novas
tecnologias de informação e comunicação (NTICs), aconteceu a disseminação de
computadores, internet, e-mails, banda larga, câmeras digitais, mensagens
instantâneas, entre outros, que fazem parte do cotidiano do ser social,
de forma que o mesmo precisa desenvolver e dominar essas novas habilidades e
competências que serão necessárias à sua formação continuada e à sua práxis
profissional. González (2005, p. 2) defende que
a educação deve preparar
para a vida, deve integrar a recriação do significado das coisas, a cooperação,
a discussão, a negociação e a solução de problemas. Para tanto, deve-se
utilizar metodologias ativas que favoreçam a interação entre os alunos, a
interação social e a capacidade de comunicar-se, de colaborar; a mudança de
atitudes, o desenvolvimento do pensamento e a descoberta do prazer de aprender,
ao mesmo tempo em que se incentiva atitudes de cooperação e solidariedade.
As novas tecnologias surgiram
para eliminar a distância entre o indivíduo e o conhecimento, é nesta superação
da distância espacial que se promove o convívio social e a construção de uma
diversidade identitária. Articular múltiplos saberes, permitir que o processo
de aprendizagem seja construído coletivamente, com um caráter inter, multi e
transdisciplinar, concede amplas possibilidades de inovação pedagógica. Isso
acontece porque o ciberespaço não está desconectado do real, ele existe como um
espaço intermediário que faz parte da sociedade. Usar as TICs, não siginifica,
inicialmente, mudar as questões inerentes a qualquer projeto educativo, pois
como afirma ALONSO (2000), ao elaborar qualquer projeto você sempre responderá:
Para quem? Para quê? e Como? Na verdade, ao se desenvolver um ambiente de
aprendizagem, deve-se considerar a opção teórico-metodológica com uma abordagem
que seja propícia ao desenvolvimento e aprendizagem do humano, com uma visão
humanistíca, científica, trabalhista e de mundo.
As NTICs surgiram para gerar
novas demandas e focar aspectos relevantes, como a oportunização de
agrupamentos humanos propiciadores do desenvolvimento de nova socialidade, como
também de subjetividades que são fundamentais para a discussão sobre as
relações entre educação, comunicação e cultura. Por também fomentar o
imaginário do sujeito, elas oferecem uma infra-estrutra
comunicacional que permite a interação em rede de seus integrantes. Sobre isso, Lèvy
(2000, p. 25) afirma que
o papel da informática e
das técnicas de comunicação com base digital não seria "substituir o
homem", nem aproximar-se de uma hipotética "inteligência
artificial", mas promover a construção de coletivos inteligentes, nos
quais as potencialidades sociais e cognitivas de cada um poderão desenvolver-se
e ampliar-se de maneira recíproca.
Nesse ponto, o autor refere-se
à edificação de coletivos, partilhados em vários lugares, que beneficiem a
mobilidade e a constituição de competências, caracterizadas e desenvolvidas,
reciprocamente, em tempo real. Dessa maneira, por
entender que a interação social tem um papel fundamental no desenvolvimento
cognitivo do ser humano e que o conhecimento é construído em um processo social
negociado, este artigo versa sobre as interfaces que favorecem o trabalho colaborativo
na web, como o wiki e o google docs,
mas enfoca, sobretudo, o uso de weblogs como uma ferramenta que, se bem
utilizada, pode, além de todas as outras funções já muito bem conhecidas,
otimizar também um processo de aprendizagem mais colaborativo.
1.1 Trabalho Colaborativo na Web
A necessidade
dos sites de explorar mais recursos de interação (síncrona e assíncrona) e
promover uma maior colaboração entre os usuários da rede potencializaram o
surgimento, em 2004, da segunda geração da Internet: a geração WEB 2.0; esta
mostrou-se como a plataforma ideal para a criação e desenvolvimento de
interfaces colaborativas que possibilitam a adoção de uma linguagem
hipertextual e interativa em ambientes como os weblogs, wikis e redes socias,
dentre outros. Segundo Aragão (2009, p.23), “muitos consideram a divulgação em
torno da WEB 2.0 um golpe de marketing, uma vez que o universo digital sempre
apresentou interatividade, o reforço desta característica seria um movimento
natural e, por isso, não daria à tendência o título de "a segunda
geração" (grifo meu).
Com o advento da internet, a
informação passou a estar ao alcance de todos e os professores deixaram de ser
os detendores do conhecimento no processo de ensino e aprendizagem, e passaram
a ser mediadores da inteligência coletiva, onde o trabalho colaborativo
tornou-se a metodologia predominante, sendo fundamental que haja
interação entre professor e aluno, professor, aluno e meio e principalmente
entre alunos, haja vista que, em muitas situações, os apreendentes produzem
mais e de forma mais significativa nas relações com semelhantes, cabendo ao
docente estimular a autonomia, a reflexão crítica e a colaboratividade, nos
processos cognitivos.
2 WEBLOGS COMO INTERFACE COLABORATIVA
O termo weblog é
oriundo das palavras inglesas web, que representa a rede mundial de
computadores e log (diário de bordo), que se refere aos registros (ou postings)
efetuados pelo usuário do weblog, mais comumente chamado de blogueiro
(ou blogger). Os posts enviados
só serão mantidos se o autor ou autores dos blogs
desejarem. De acordo com Osório & Puga (2007, p. 44), os blogs “são
páginas na internet, onde os autores podem recorrer a uma tecnologia de fácil
utilização e pronta a usar para divulgar ou escrever sobre vários assuntos”.
Esses mesmos autores ainda afirmam que eles podem e devem ser utilizados como
uma ferramenta de ampliação de interatividade e de troca de informações com o
menor número possível de restrições (grifo
Paula).
Aragão (2009, p. 23), por sua
vez, define essa ferramenta como "um meio possível de construção de um
saber coletivo a partir da colaboração para o conhecimento" e Gonzáles
(2005, p. 3) conceitua-a como "uma página da web com notas colocadas em ordem cronológica inversa, de forma que
a anotação mais recente é a que primeiro aparece".
Os
blogs tornaram-se ferramentas
indispensáveis de informação e entretenimento, já que a linguagem utilizada
pelos blogueiros é livre, desviando-se da rigidez que se é cobrada nos meios de
comunicação tradicionais, permitindo ao leitor/autor uma proximidade maior com
o texto, sem contar com as oportunidades de diálogo oferecidas entre o
comunicador e o público.
Em sua maioria, os blogs são elementalmente textuais,
conquanto uma parte seja evidenciada em assuntos exclusivos como arte,
fotografia, vídeos, música ou áudio, formando uma ampla rede de mídias
sociais. Outro formato é o microblogging
(blog com textos breves). Um dos
fenômenos bastante interessantes relacionados ao blog é que ele possibilita as
pessoas comunicarem-se, sem necessariamente, precisarem dominar a tecnologia a
fundo ou entenderem de programação, etc. No livro Blogs.com: estudos sobre
blogs e comunicação, os autores Helaine Rosa e Octávio Islas definem os weblogs ou blogs como o "coração da web" e afirmam que os mesmos
"têm sido objeto de frequentes remediações em sua brevíssima
história"(p.167). Essa remediação na internet favorece o progresso da web 2.0, com um propósito comum, que é o
conhecimento partilhado.
A aliança da tecnologia com a
educação vem contribuindo para a aquisição da aprendizagem e da comunicação.
Segundo Rosa & Islas (op. cit.),
o verdadeiro intuito dos educadores dessa nova geração é "estimular os
alunos para a construção de seus próprios conteúdos, com práticas abertas em
que se estimule o enfrentamento à tecnologia, desde a intuição e a
reflexão" (p.173), explorando na prática escolar os "blogs pedagógicos".
Na esfera educativa, os blogs ainda são utilizados de maneira
tímida; nesse espaço, são comumente chamados de edublogs e enquanto estratégias pedagógicas podem apresentar-se de
diversas formas, tais como: portfólio digital, espaços de intercâmbio e
colaboração, de debate e de integração. Segundo Aragão (2009, p. 24), para o
professor, o blog pedagógico
surge desde logo como um espaço online em que facilmente pode
disponibilizar e arquivar os conteúdos da sua prática profissional; é
facilitador da interação e comunicação; [...]. Para os alunos, os blogs podem surgir como diários pessoais
contendo reflexões sobre os estudos realizados; permitem a gestão e partilha do
conhecimento; permitem a entrega e revisão de tarefas de aprendizagem; podem
seu um espaço de diálogo para trabalho em grupo.
A utilização dos blogs na área educacional apresenta
inúmeras vantagens, conforme citado, talvez uma das maiores seja a fácil
utilização dessa ferramenta pelos alunos, que o consideram não apenas um
recurso de trabalho interativo, mas também um importante aliado na criação de
equipes de trabalho e comunidades de interesse. A respeito disso, Cipriani
(2006), apud Aragão (2009, p. 24), afirma que
o uso do blog
acadêmico contribuiu para que os alunos se tornassem mais conscientes da
progressão de seus conhecimentos em relação às discussões da disciplina. Os
processos de comunicação e conversação existentes em um blog foram os principais responsáveis pelo sucesso da
experiência.
Entretanto, apesar das inúmeras
vantagens apresentadas por essa ferramenta, o professor deve tomar cuidado para
não fazer com que o blog se torne
apenas um espaço em que ele disponibiliza informação para seus alunos ou um
espaço em que seus discentes tenham acesso à informação especializada, pois,
dessa maneira, ele só estará utilizando uma ferramenta diferente para
reproduzir a mesma educação fragmentada e bancária de sempre; em outras
palavras, ele estará apenas sofisticando sua prática pedagógica, porém não
trará nenhuma inovação significativa ao processo ensino/aprendizagem dos
alunos.
Mas se o professor oferecer aos
discentes atividades em que eles possam exercitar as funções de autoria e
co-autoria, incluindo atividades promovidas e desenvolvidas pelos próprios
alunos, ele estará desenvolvendo as competências essenciais e os objetivos de
aprendizagem através da utilização dos blogs.
Dessa maneira, os weblogs poderão ser
considerados potencializadores de uma prática pedagógica colaborativa, uma vez
que os alunos realizarão atividades de pesquisa, seleção, análise, síntese,
publicação de informação e produção de texto escrito, sempre agindo,
interagindo, trocando experiências, gerando, assim, um ambiente colaborativo de
aprendizagem.
3 CONCLUSÕES
Os weblogs, assim como outras interfaces possibilitam a interação
entre indivíduos unidos sob o mesmo objetivo, o de comunicar-se e produzir
conhecimento, permitindo que o usuário seja autor e ator reciprocamente,
fazendo com que a comunicação se efetive de forma concreta, pois permite a
contribuição de outros blogueiros interagindo sincronicamente e
assincronicamente, em tempo real e absorvido por um enredo construído
interativamente por todos os agentes envolvidos nesse processo de comunicação.
É necessário que os profissionais da educação motivem-se para essa nova forma
de comunicação, possibilitando uma educação mais autêntica e coletiva, tão
necessária a toda e qualquer modalidade de ensino principalmente o a
distância. Como afirma Silva (2003, p.2-3),
para que haja interatividade é preciso garantir
duas disposições basicamente: 1
a dialógica que associa emissão e recepção como pólos
antagônicos complementares na co-criação da comunicação; 2. a intervenção do usuário ou
receptor no conteúdo da mensagem, ou do programa, abertos a manipulações e
modificações.
.
Toda essa disposição reflete uma
mudança paradigmática na teoria e pragmática comunicacionais, pois há a
oferta de um leque de possibilidades, incitando o usuário a executá-las pelas
diversas conexões em rede.
Assim , conforme se pode notar, os weblogs além de constituírem um
importante instrumento de fomentação de produção colaborativa na web, ainda possibilitam que os alunos
publiquem e avaliem suas produções, bem como signifiquem e ressignifiquem a
produção do conhecimento através da interação entre pessoas com pontos de
vista, entendimentos e habilidades diversificadas e ao mesmo tempo
complementares.
REFERÊNCIAS
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Acesso em: 13 de outubro de 2009.
Simultaneamente à reunião de chefes de Estado ocorrida na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – Rio de Janeiro, 1992 - foi realizado o Fórum Global das Organizações Não-Governamentais, contando com a participação de 15000 profissionais atuantes na temática ambiental. Nesse evento foram ratificados 32 tratados, dentre eles o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, documento que constitui marco referencial da EA, no qual são definidos os seus princípios de compromisso com mudanças nas dimensões individuais e estruturais. Aborda os direitos e os deveres que cabem aos cidadãos, tendo em vista o estabelecimento de sociedades sustentáveis.