domingo, 30 de setembro de 2012

WEBLOG - UMA FERRAMENTA COLETIVA


WEBLOG: CONSTRUÇÃO COLETIVA A SEIS MÃOS

André Luiz Gomes da Silva
Joseane Costa Santana
                                                                                                                             Paula Ferraz Oliveira
1 INTRODUÇÃO

 A sociedade contemporânea está altamente tecnologizada e caracterizada por novos espaços sociais, carregados de subjetividade. Com o aperfeiçoamento das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs), aconteceu a disseminação de computadores, internet, e-mails, banda larga, câmeras digitais, mensagens instantâneas, entre outros, que  fazem parte do cotidiano do ser social, de forma que o mesmo precisa desenvolver e dominar essas novas habilidades e competências que serão necessárias à sua formação continuada e à sua práxis profissional. González (2005, p. 2) defende que 

a educação deve preparar para a vida, deve integrar a recriação do significado das coisas, a cooperação, a discussão, a negociação e a solução de problemas. Para tanto, deve-se utilizar metodologias ativas que favoreçam a interação entre os alunos, a interação social e a capacidade de comunicar-se, de colaborar; a mudança de atitudes, o desenvolvimento do pensamento e a descoberta do prazer de aprender, ao mesmo tempo em que se incentiva atitudes de cooperação e solidariedade.

As novas tecnologias surgiram para eliminar a distância entre o indivíduo e o conhecimento, é nesta superação da distância espacial que se promove o convívio social e a construção de uma diversidade identitária. Articular múltiplos saberes, permitir que o processo de aprendizagem seja construído coletivamente, com um caráter inter, multi e transdisciplinar, concede amplas possibilidades de inovação pedagógica. Isso acontece porque o ciberespaço não está desconectado do real, ele existe como um espaço intermediário que faz parte da sociedade. Usar as TICs, não siginifica, inicialmente, mudar as questões inerentes a qualquer projeto educativo, pois como afirma ALONSO (2000), ao elaborar qualquer projeto você sempre responderá: Para quem? Para quê? e Como? Na verdade, ao se desenvolver um ambiente de aprendizagem, deve-se considerar a opção teórico-metodológica com uma abordagem que seja propícia ao desenvolvimento e aprendizagem do humano, com uma visão humanistíca, científica, trabalhista e de mundo.
As NTICs surgiram para gerar novas demandas e focar aspectos relevantes, como a oportunização de agrupamentos humanos propiciadores do desenvolvimento de nova socialidade, como também de subjetividades que são fundamentais para a discussão sobre as relações entre educação, comunicação e cultura. Por também fomentar o imaginário do sujeito, elas  oferecem uma infra-estrutra comunicacional que permite a interação em rede de seus integrantes. Sobre isso, Lèvy (2000, p. 25) afirma que 

o papel da informática e das técnicas de comunicação com base digital não seria "substituir o homem", nem aproximar-se de uma hipotética "inteligência artificial", mas promover a construção de coletivos inteligentes, nos quais as potencialidades sociais e cognitivas de cada um poderão desenvolver-se e ampliar-se de maneira recíproca.

Nesse ponto, o autor refere-se à edificação de coletivos, partilhados em vários lugares, que beneficiem a mobilidade e a constituição de competências, caracterizadas e desenvolvidas, reciprocamente, em tempo real. Dessa maneira, por entender que a interação social tem um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo do ser humano e que o conhecimento é construído em um processo social negociado, este artigo versa sobre as interfaces que favorecem o trabalho colaborativo na web, como o wiki e o google docs, mas enfoca, sobretudo, o uso de weblogs como uma ferramenta que, se bem utilizada, pode, além de todas as outras funções já muito bem conhecidas, otimizar também um processo de aprendizagem mais colaborativo.
 
1.1 Trabalho Colaborativo na Web
 
A necessidade dos sites de explorar mais recursos de interação (síncrona e assíncrona) e promover uma maior colaboração entre os usuários da rede potencializaram o surgimento, em 2004, da segunda geração da Internet: a geração WEB 2.0; esta mostrou-se como a plataforma ideal para a criação e desenvolvimento de interfaces colaborativas que possibilitam a adoção de uma linguagem hipertextual e interativa em ambientes como os weblogs, wikis e redes socias, dentre outros. Segundo Aragão (2009, p.23), “muitos consideram a divulgação em torno da WEB 2.0 um golpe de marketing, uma vez que o universo digital sempre apresentou interatividade, o reforço desta característica seria um movimento natural e, por isso, não daria à tendência o título de "a segunda geração" (grifo meu).
Com o advento da internet, a informação passou a estar ao alcance de todos e os professores deixaram de ser os detendores do conhecimento no processo de ensino e aprendizagem, e passaram a ser mediadores da inteligência coletiva, onde o trabalho colaborativo tornou-se  a metodologia predominante, sendo fundamental que haja interação entre professor e aluno, professor, aluno e meio e principalmente entre alunos, haja vista que, em muitas situações, os apreendentes produzem mais e de forma mais significativa nas relações com semelhantes, cabendo ao docente estimular a autonomia, a reflexão crítica e a colaboratividade, nos processos cognitivos. 
  
2 WEBLOGS COMO INTERFACE COLABORATIVA
 
O termo weblog é oriundo das palavras inglesas web, que representa a rede mundial de computadores e log (diário de bordo), que se refere aos registros (ou postings) efetuados pelo usuário do weblog, mais comumente chamado de blogueiro (ou blogger). Os posts enviados só serão mantidos se o autor ou autores dos blogs desejarem.  De acordo com Osório & Puga (2007, p. 44), os blogs “são páginas na internet, onde os autores podem recorrer a uma tecnologia de fácil utilização e pronta a usar para divulgar ou escrever sobre vários assuntos”. Esses mesmos autores ainda afirmam que eles podem e devem ser utilizados como uma ferramenta de ampliação de interatividade e de troca de informações com o menor número possível de restrições (grifo Paula).
Aragão (2009, p. 23), por sua vez, define essa ferramenta como "um meio possível de construção de um saber coletivo a partir da colaboração para o conhecimento" e Gonzáles (2005, p. 3) conceitua-a como "uma página da web com notas colocadas em ordem cronológica inversa, de forma que a anotação mais recente é a que primeiro aparece". 
            Os blogs tornaram-se ferramentas indispensáveis de informação e entretenimento, já que a linguagem utilizada pelos blogueiros é livre, desviando-se da rigidez que se é cobrada nos meios de comunicação tradicionais, permitindo ao leitor/autor uma proximidade maior com o texto, sem contar com as oportunidades de diálogo oferecidas entre o comunicador e o público.
Em sua maioria,  os blogs são elementalmente textuais, conquanto uma parte seja evidenciada em  assuntos exclusivos como arte, fotografia, vídeos, música ou áudio, formando uma ampla rede de mídias sociais. Outro formato é o microblogging (blog com textos breves). Um dos fenômenos bastante interessantes relacionados ao blog é que ele possibilita as pessoas comunicarem-se, sem necessariamente, precisarem dominar a tecnologia a fundo ou entenderem de programação, etc. No livro Blogs.com: estudos sobre blogs e comunicação, os autores Helaine Rosa e Octávio Islas definem os weblogs ou blogs como o "coração da web" e afirmam que os mesmos "têm sido objeto de frequentes remediações em sua brevíssima história"(p.167). Essa remediação na internet favorece o progresso da web 2.0, com um propósito comum, que é o conhecimento partilhado.
A aliança da tecnologia com a educação vem contribuindo para a aquisição da aprendizagem e da comunicação. Segundo Rosa & Islas (op. cit.),  o verdadeiro intuito dos educadores dessa nova geração é "estimular os alunos para a construção de seus próprios conteúdos, com práticas abertas em que se estimule o enfrentamento à tecnologia, desde a intuição e a reflexão" (p.173), explorando na prática escolar os "blogs pedagógicos".
Na esfera educativa, os blogs ainda são utilizados de maneira tímida; nesse espaço, são comumente chamados de edublogs e enquanto estratégias pedagógicas podem apresentar-se de diversas formas, tais como: portfólio digital, espaços de intercâmbio e colaboração, de debate e de integração. Segundo Aragão (2009, p. 24), para o professor, o blog pedagógico 

surge desde logo como um espaço online em que facilmente pode disponibilizar e arquivar os conteúdos da sua prática profissional; é facilitador da interação e comunicação; [...]. Para os alunos, os blogs podem surgir como diários pessoais contendo reflexões sobre os estudos realizados; permitem a gestão e partilha do conhecimento; permitem a entrega e revisão de tarefas de aprendizagem; podem seu um espaço de diálogo para trabalho em grupo.

A utilização dos blogs na área educacional apresenta inúmeras vantagens, conforme citado, talvez uma das maiores seja a fácil utilização dessa ferramenta pelos alunos, que o consideram não apenas um recurso de trabalho interativo, mas também um importante aliado na criação de equipes de trabalho e comunidades de interesse. A respeito disso, Cipriani (2006), apud Aragão (2009, p. 24), afirma que 

o uso do blog acadêmico contribuiu para que os alunos se tornassem mais conscientes da progressão de seus conhecimentos em relação às discussões da disciplina. Os processos de comunicação e conversação existentes em um blog foram os principais responsáveis pelo sucesso da experiência.   
        
Entretanto, apesar das inúmeras vantagens apresentadas por essa ferramenta, o professor deve tomar cuidado para não fazer com que o blog se torne apenas um espaço em que ele disponibiliza informação para seus alunos ou um espaço em que seus discentes tenham acesso à informação especializada, pois, dessa maneira, ele só estará utilizando uma ferramenta diferente para reproduzir a mesma educação fragmentada e bancária de sempre; em outras palavras, ele estará apenas sofisticando sua prática pedagógica, porém não trará nenhuma inovação significativa ao processo ensino/aprendizagem dos alunos.
Mas se o professor oferecer aos discentes atividades em que eles possam exercitar as funções de autoria e co-autoria, incluindo atividades promovidas e desenvolvidas pelos próprios alunos, ele estará desenvolvendo as competências essenciais e os objetivos de aprendizagem através da utilização dos blogs. Dessa maneira, os weblogs poderão ser considerados potencializadores de uma prática pedagógica colaborativa, uma vez que os alunos realizarão atividades de pesquisa, seleção, análise, síntese, publicação de informação e produção de texto escrito, sempre agindo, interagindo, trocando experiências, gerando, assim, um ambiente colaborativo de aprendizagem.   
 
3 CONCLUSÕES
    
Os weblogs, assim como outras interfaces possibilitam a interação entre indivíduos unidos sob o mesmo objetivo, o de comunicar-se e produzir conhecimento, permitindo que o usuário seja autor e ator reciprocamente, fazendo com que a comunicação se efetive de forma concreta, pois permite a contribuição de outros blogueiros interagindo sincronicamente e assincronicamente, em tempo real e absorvido por um enredo construído interativamente por todos os agentes envolvidos nesse processo de comunicação. É necessário que os profissionais da educação motivem-se para essa nova forma de comunicação, possibilitando uma educação mais autêntica e coletiva, tão necessária a toda e qualquer modalidade de ensino principalmente o a distância.  Como afirma Silva (2003, p.2-3),

para que haja interatividade é preciso garantir duas disposições basicamente: 1 a dialógica que associa emissão e recepção como pólos antagônicos complementares na co-criação da comunicação; 2. a intervenção do usuário ou receptor no conteúdo da mensagem, ou do programa, abertos a manipulações e modificações.

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Toda essa disposição reflete uma mudança paradigmática na teoria e pragmática comunicacionais, pois há  a oferta de um leque de possibilidades, incitando o usuário a executá-las pelas diversas conexões em rede. Assim, conforme se pode notar, os weblogs além de constituírem um importante instrumento de fomentação de produção colaborativa na web, ainda possibilitam que os alunos publiquem e avaliem suas produções, bem como signifiquem e ressignifiquem a produção do conhecimento através da interação entre pessoas com pontos de vista, entendimentos e habilidades diversificadas e ao mesmo tempo complementares.
REFERÊNCIAS


 
ALONSO, K.M. Novas tecnologias e formação de professores. In: PRETI, Oreste(Org.). Educação à distância: Construindo significados. Cuiabá: NEAD/IE - UFMT: Brasilia: Plano, 2000.
 

AMARAL, A.; RECUERDO, R. & MONTARDO, S. (orgs.). Blogs. Com: estudos sobre blogs e comunicação. São Paulo: Momento Editorial, 2009.


ARAGÃO, Claudia. Trabalho colaborativo na web. Salvador: UNEB/EAD, 2009.


GONZÁLES, Fernando Santamaría. Ferramentas da web para a aprendizagem colaborativa: weblogs, redes sociais, wiki, web 2.0. Disponível em: < http://www.gabinetedeinformatica.net/wp15/docs/FerramentasWeb_port.pdf>. Acesso em: 01 de outubro de 2009
 
LÈVY, Pierre.  As tecnologias da inteligência – o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Ed. 34, 2000.

 
OSÓRIO, António José & PUGA,  Maria del Pilar Vidal (coords.). As Tecnologias de Informação e Comunicação na Escola. Universidade do Minho. Braga: 2007. Volume 1.
 

POMBO, Teresa Sofia. Weblogs na Educação: Uma experiência no ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa e das TIC. Disponível em: <http://nonio.ese.ips.pt/nonio21/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=60&Itemid=66>. Acesso em: 15 de outubro de 2009.
 

SILVA, MARCO. Sala de aula interativa: a educação presencial e a distância em sintonia com a era digital e com a cidadania. Disponível em: <http://www.senac.br/informativo/BTS/272/boltec272e.htm>. Acesso em: 13 de outubro de 2009. 
 

ÜBERGEEK, Das. Blogar é bom para a vida social.  Disponível em: <http://www.geek.com.br/modules/noticias/ver.php?id=17584&sec=6>. Acesso em: 13 de outubro de 2009.

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